Pesquisa revela que 80% dos jovens sentem a crise dos 25 anos

Com o fim do curso superior, muitos jovens passam pelo seguinte dilema: e agora, o que fazer na carreira? Alguns já estão no mercado de trabalho. Mas isso não significa que estão completamente satisfeitos com a profissão que escolheram seguir.  E isso é mais comum aos 25 anos de idade, quando as pessoas começam a reavaliar escolhas de vida, formação e caminhos profissionais. Pelo menos 80% dos brasileiros já foram pegos pela crise dos 25 anos, a chamada crise do quarto de vida. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Linkedin com mais de mil profissionais brasileiros entre 25 e 33 anos.

A advogada Larissa Costa se encaixa no perfil dos entrevistados. Com 25 anos, casada, ela concilia o trabalho como assessora parlamentar com os estudos para concursos públicos. Insatisfeita com os rumos da profissão, ela sente na pele a ansiedade típica da idade.

“As pessoas acham que você já vai sair da faculdade com um grande escritório, uma ampla cartela de clientes e, na verdade, a realidade é bem diferente”, afirmou.

Segundo a pesquisa, por ser uma fase em que os jovens têm que tomar decisões importantes, como qual emprego seguir, ou, se está na hora de começar a pensar na compra da casa própria, cria-se um terreno fértil para a ansiedade. A pressão maior, inclusive, é para a compra da casa própria, motivo apresentado por 65% dos entrevistados.

“Há uma pressão muito grande da família, dos amigos, da sociedade de um modo geral, para que a gente tenha uma vida estável, um carro, uma casa. Aí vem a frustração, porque você cria uma expectativa e não consegue realizar as coisas no tempo desejado”, destacou Larissa.

O levantamento aponta que preocupações com a carreira são o segundo maior fator de ansiedade entre os jovens. Encontrar o emprego pelo qual se apaixone corresponde às preocupações de 46% dos entrevistados e ter as qualificações certas para o trabalho a 39%. Ficar endividado e a pressão por ser promovido também estão entre as maiores causas de ansiedade, respectivamente 37% e 35% dos participantes da pesquisa.

Segundo o coach de carreira e relacionamento, Hélio Mannato, as pessoas não estão focando no que elas precisam ser para conquistar o que desejam. Ter isso em mente faz toda a diferença.

“As pessoas são induzidas o tempo todo a conquistar algo, são muito cobradas pela sociedade. É preciso abstrair as cobranças, descobrir qual o seu real valor. A pergunta que você deve se fazer é: por que você quer trabalhar na sua profissão? É preciso mudar a percepção que você tem do momento em que está vivendo. Depois de uns anos as coisas passam a fluir naturalmente”, afirmou o coach.

E é quando se está na faixa dos 32 e 33 anos que a ansiedade já não atinge somente a carreira. Segundo Hélio Mannato, o problema é que a sociedade, inconscientemente, divide a vida em fases e isso gera ansiedade quando se atinge uma determinada idade sem ter realizado o que foi planejado.

“A pessoa tem que ter o direito de escolher que estilo de vida ela quer ter, independentemente da idade. Essa é a postura. Ela precisa assumir quem ela quer ser”, destacou o coach.

Do total de entrevistados, aqueles com idades entre 32 e 33 anos afirmaram se sentir mais pressionados, sendo que para 75% deles a crise afeta os relacionamentos, além da carreira.